Feira da Diversidade Cultural 2018 – Faculdade GAP

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[…] o acesso igualitário a todos os espaços da vida é um pré-requisito para os direitos humanos universais e liberdades fundamentais das pessoas. O esforço rumo a uma sociedade inclusiva para todos é a essência do desenvolvimento social sustentável.

A citação da Declaração de Guatemala resume o escopo deste projeto institucional que objetiva dar direcionamentos para o desenvolvimento de ações que despertem e desenvolva as competências dos alunos e que vá de encontro com a missão da Faculdade de Tecnologia GAP, no intuito de trabalhar os Requisitos Legais e Normativos referentes às Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena, nos termos da Lei Nº 9.394/96, com a redação dada pelas Leis Nº 10.639/2003 e N° 11.645/2008, e da Resolução CNE/CP N° 1/2004, fundamentada no Parecer CNE/CP Nº 3/2004; Políticas de educação ambiental (Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999; Decreto Nº 4.281 de 25 de junho de 2002); Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, conforme disposto no Parecer CNE/CP N° 8, de 06/03/2012, que originou a Resolução CNE/CP N° 1, de 30/05/2012;

Para colocar em prática essas ações de cidadania plena, a Faculdade de Tecnologia GAP realizou no dia 21 de Maio de 2018, a I Feira de Diversidade Cultural, a mesma teve como objetivo trabalhar a interdisciplinaridade, no intuito de desenvolver reflexões e maior conhecimento sobre a cultura Anapolina e a influência da migração étnica cultural para o desenvolvimento regional e do município.

Abrilhantando o evento a Faculdade de Tecnologia Gap, recebeu o historiador Prof. Juscelino Martins Polonial, onde junto à comunidade Acadêmica refletiu sobre a diversidade cultural e sua importância para o fortalecimento da democracia. Como historiador conseguiu fazer um corte histórico do quão relevante para o Município é a presença da diversidade cultural, quanto a fatores como religião, economia, culinária, costumes dentre outros. Ao finalizar sua participação fez referência a importância destes momentos para a academia, pois a conscientização e a valorização das diferenças culturais fortalecem o desenvolvimento social e ético entre os povos.

A imagem pode conter: 10 pessoas, pessoas sentadas, pessoas em pé e área internaProf. Juscelino Martins Polonial
Graduação em Ciências Sociais / Especialista em Ciência Política / Mestrado em História / Doutorando em Sociologia – UFG

 

A participação da comunidade acadêmica no projeto desdobrou-se da seguinte temática A CONTRIBUIÇÃO DA DIVERSIDADE CULTURAL EM ANÁPOLIS, onde os alunos foram divididos em grupo étnicos e através do acompanhamento de professores e coordenação realização uma noite de muita emoção, com a presença da comunidade, músicas, danças, arte e muita alimentação.

Segundo fontes históricas do município, apresentadas através do portal da prefeitura de Anápolis, os princípios da povoação de Anápolis, nos idos do século XVIII, tiveram como responsável a movimentação de tropeiros que demandavam de diferentes províncias em direção às lavras de ouro de Meia Ponte (Pirenópolis), Corumbá de Goiás, Santa Cruz, Bonfim (Silvânia) e Vila Boa (Cidade de Goiás).

Os principais cursos de água que cortam a região de Anápolis – João Cezário, Góis e Antas – tinham dupla importância no translado desses garimpeiros: eram sítios de descanso e serviam como referência e orientação na viagem. Abandonando os sonhos de aventura e de riqueza em face da exaustão do precioso metal nas lavras antes promissoras, muitos daqueles viajores optaram pelas margens do Antas para estabelecer moradia, constituir família, explorar a terra.

Já no século XIX o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire fez anotações em seu diário de viagem em que descrevia uma fazenda “que era um engenho de açúcar do qual dependia um rancho muito limpo, no qual nos alojamos”. Era o ano de 1819 e o lugar descrito pelo estudioso francês, a Fazenda das Antas. O certo é que pelos idos de 1833, os fazendeiros de há muito fixados às margens do Riacho das Antas, tinham por costume se reunir em casa de Manoel Rodrigues dos Santos, um dos primeiros moradores do lugar, e aí realizavam novenas e orações. Registros históricos da época confirmam que no ano de 1859, a área de terras que constituía propriedade de Manoel Rodrigues dos Santos era um aglomerado de quinze casas.

A 25 de abril de 1870 surge o primeiro documento oficial sobre Anápolis. Um grupo de moradores constituído por Pedro Roiz dos Santos, Inácio José de Souza, Camilo Mendes de Morais, Manoel Roiz dos Santos e Joaquim Rodrigues dos Santos fez a doação de parte de suas terras para a formação do que se denominou de Patrimônio de Nossa Senhora de Santana.

No ano seguinte, nas terras doadas, Gomes de Souza Ramos construiu a Capela de Santana o que fez o lugar florescer rapidamente, pelo que foi elevado à Freguesia de Santana, sobrevindo depois os estágios de vila e de cidade.

Tendo estes fatos históricos como mola estimuladora do projeto, os grupos iniciaram seus trabalhos com as seguintes divisões : Japoneses, Sírios Libaneses , Italianos, Ingleses e Alemães , Afro Descendentes, Chineses e também o Nordeste Brasileiro.

Grupo 1 – Japão :

 

Várias famílias de imigrantes japoneses ao se sentirem ludibriados ao chegarem à “colônia”, e sem apoio judicial, vieram fixar em Anápolis e cidades próximas, como Nerópolis, Goianápolis, Goiânia e Inhumas. As famílias que permaneceram nas terras originalmente destinadas a eles, só receberam a titulação, da propriedade a partir de 1935. Desenvolveram atividades agrícolas em grande escala de café milho, arroz, feijão, cana-de-açúcar e algodão. Foram responsáveis pela introdução de técnicas agrícolas avançadas; os primeiros a praticar adubação o plantio do café e a poda dos cafezais, a utilizar-se do arado, da grade e de semeaduras. Atualmente, a presença japonesa faz a diferença na economia de Anápolis, dedicando-se aos setores de horti-fruticultura, floricultura e criação avícuola.

⦁ Cultura : Música, Dança, Pintura e artesanato.
⦁ Economia : Comércio, Agricultura.
⦁ Culinária : Comidas típicas como o Suschi.
⦁ Religião : Religião Budista
⦁ Desenvolvimento regional : Associações e empreendedorismo.

Grupo 2 – China :

Os chineses chegaram a Anápolis, vindos de Taiwan, se tornaram proprietários da Fábrica de Tecidos em 1958, na Vila Jaiara, e passou a ser denominada de “Indústria Têxtil de Anápolis S/A”, no entanto, era mais conhecida pela sigla ANATEX. Em fins de 1971, a indústria entrou em crise, devido a um jogo dos sócios-proprietários que teriam retirado e fugido com o capital ativo da empresa. Em consequência disso, ainda em 1971, o Governo Federal decretou intervenção na fábrica e nomeou com síndico o capitão Waldyr O’ Dwyer. O que realmente aconteceu com a ANATEX e os motivos da saída sigilosa dos proprietários são desconhecidos. Enfim, em 1973, é decretada a falência da Anatex. Paralelo a esse empreendimento, foi construído um posto de gasolina, cujo proprietário também chinês, Senhor Paulo, onde hoje está instalado uma loja de colchões e estofados na Avenida Fernando Costa esquina com a Rua Goiânia. Vários outros pequenos empreendimentos surgiram com a chegada dos chineses, condomínios com vários apartamentos e outros. Atualmente, Anápolis tem acolhido um número grande de chineses ligados ao comércio.

⦁ Cultura : Artes.
⦁ Economia : Comércio.
⦁ Culinária : Comidas Típicas Chinesas :Frango xadrez.
⦁ Religião : Religião Budista
⦁ Desenvolvimento regional : Empreendedorismo.

Grupo 3 – Cultura Italiana :


Os imigrantes italianos que, no começo do século, se estabeleceram no Município de Anápolis, vieram de Vêneto ( nordeste da Itália) para Minas Gerais e depois de algum tempo, deslocaram-se para Goiás. Esses imigrantes ao chegarem no Município, já eram proprietários das terras em que iam se fixar. O que despertou nesses imigrantes o sentimento de uma segunda aventura, foi a informação de que em Goiás havia uma região, fértil, muito próspera, pouco habitada e que poderia ser adquiridas a preços módicos. Depois de uma viagem cansativa e estafante, constataram a veracidade das informações e adquiriram propriedades que os surpreendeu pela vastidão e preços baixos. Imediatamente iniciaram o plantio e a construção de casas. Logo nos primeiros anos a abundância constatada, proporcionou grande incentivo para vinda de novas famílias de italianos. Dedicaram-se a plantação de café, tornando Anápolis um dos maiores produtores do Estado. Devido a fertilidade do solo a atividade agrícola foi um sucesso e somando a técnicas desconhecidas na região e introduzidas pelos italianos, plantaram também o milho, feijão e arroz.

⦁ Cultura : Música, Dança e Cinema.
⦁ Economia : Comércio e prestação de serviços.
⦁ Culinária : Massas.
⦁ Religião : Catolicismo
⦁ Desenvolvimento regional : Empreendedorismo.

Grupo 4 – Cultura Sírio – Libaneses:

Início do século XX o Município de Anápolis recebe seus primeiros imigrantes sírio – libaneses, tendo como pioneiro o senhor Joaquim Spir nas transações comerciais, mas coube ao senhor Miguel João o primeiro sírio – libanês a estabelecer definitivamente em Anápolis, em 1913, instalando sua casa comercial e anos mais tarde máquinas de beneficiar arroz e café, na região hoje denominada de Rua Miguel João. Os sírios – libaneses dedicaram-se a atividades comerciais, portanto, estabeleceram na região urbana do Município. Com eles veio conhecimentos diferentes de práticas comerciais, o que os levou a despontar no cenário econômico de Anápolis. Fundaram na década de trinta, a União Syria, objetivando incentivar o desenvolvimento da cordialidade síria, a educação física, moral e intelectual da juventude Anapolina, se organizaram em uma instituição sócio –cultural, teve grande influência na sociedade local. Em 1960, foi instalado um Consulado da República Árabe Unida, que continua até os dias atuais com o mesmo nome. Instalaram principalmente na Rua General Joaquim Inácio.

Grupo 5 –Cultura Inglesa:

⦁ Cultura : Esporte, Música, Teatro.
⦁ Economia : Educação e Saúde.
⦁ Culinária : Comidas Típicas.
⦁ Religião : Protestantismo
⦁ Desenvolvimento regional : Educacional, Associações de Classe.

Grupo 6 – Cultura Afro Descendente:

⦁ Cultura : Música, Dança(Capoeira)
⦁ Economia : Comércio.
⦁ Culinária : Comidas Típicas.
⦁ Religião : Candomblé
⦁ Desenvolvimento regional : Associações de Classe e Cultura.

Grupo 7 – Migrantes Baianos e Gaúchos em Anápolis:


Desde o início, parte da população do Município de Anápolis tem origem nordestina, principalmente da Bahia o que levou todo nordestino ser denominado de baiano. A presença nordestina teve uma rica contribuição cultural para a região principalmente no campo religioso e educacional. A festa do Senhor do Bom Jesus da Lapa que se iniciou em Anápolis no começo do século, foi organizada pela senhora Maria Tereza de Jesus teve uma contribuição decisiva dos baianos, o que fez com que a aceitação popular fizesse com que este evento tenho se tornado uma festa oficial da Igreja católica. O senhor Faustino Plácido do Nascimento foi o baiano que se destacou na cidade pela sua contribuição para o desenvolvimento social. Fundou a primeira farmácia local, a Farmácia Brasil. Exerceu o magistério secundário, um dos responsáveis pela criação do Instituto de ensino secundário de Anápolis, presidente do Conselho da Câmara Municipal, dedicou a educação e saúde no início do século XX. Quando a gripe espanhola se espalhou pelo Brasil, chegando ao Município, coube a ele a tarefa de combate-la, e mesmo com os precários recursos salvou a vida de inúmeras pessoas.

⦁ Cultura : Música, Dança, Artesanato.
⦁ Economia : Comercio e Industria.
⦁ Culinária : Comidas Típicas.
⦁ Religião : Catolicismo
⦁ Desenvolvimento regional : Associações de Classe e Cultura.

 

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